"Mas, afinal, o que ele tem de tão especial?" - perguntaram a ela.
E ela, orgulhosa, respondeu:
- Ele é inteiramente incrível! Ele me aceita, ele me entende, ele sabe lidar comigo, sabe cuidar de mim, e sabe brigar quando precisa. Ele sabe conversar, ele sabe me respeitar, sabe me confortar e me confrontar. ELe sabe como me deixar segura e sabe me deixar insegura também. Ele sabe exatamente como me deixar feliz e conhece tudo o que me deixa triste, ou brava... e o que me deixa extremamente apaixonada. Ele sabe me deixar explodindo de tesão, sabe me deixar com vontade e sabe saciar cada uma das minhas vontades. Ele sabe me deixar com saudade, e sabe como matá-la. Ele conhece cada movimento do meu corpo e cada expressão do meu rosto. Ele conhece meus vários tipos de sorrisos, e meus vários tipos de lágrimas. Ele me conhece há tão pouco tempo, mas me conhece de dentro pra fora, cada centímetro de mim. Ele sabe como eu penso, e como eu vou reagir, ele sabe. Ele sempre sabe.
O que ele tem e especial, é o quanto me sinto especial ao lado dele. Nunca estive tão feliz e certa sobre alguém antes. Ele sabe me amar do jeito que eu preciso ser amada. Eu quero me casar com ele. E isso me basta. Isso me completa. Isso é o que ele tem de especial.
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
terça-feira, 6 de agosto de 2013
Deixem amar
(dê play para melhor aproveitamento)
Ela que já estava prestes a aceitar que talvez fosse melhor ser sozinha, porque ninguém seria capaz de aceitá-la exatamente como ela é, foi mais uma vez surpreendida pelas voltas do mundo.
Alguém que aceita todos os seus defeitos, compartilha suas loucuras e acrescenta em todas as suas qualidades. Existe? Existe, sim senhor! Alguém que não quer te mudar, que quer te trazer pra perto, que faz questão de um sorriso seu em todos os momentos, inclusive naqueles mais difíceis. Existe mesmo? Existe!
Ela já tinha desistido de esperar algo significativo de alguém. E, por mais que tentasse, não conseguia mais se apaixonar nem se um príncipe encantado aparecesse.
Mas esse é o problema. Ela nunca quis um príncipe encantado. Ela queria companhia, queria alguém real, alguém que fosse compatível, alguém cheio de defeitos, que fosse capaz de amar todos os defeitos dela.
Ela que, antes desacreditada, vive agora um grande auge. Foi escolhida a conhecer uma sintonia fora dos padrões. Algo que o mundo todo teme, mas que eles decidiram abraçar, sem medir muitas consequências: adrenalina! Mas não aquela que você sente quando corre numa moto, ou pula de paraquedas. É uma diferente, é uma que se sente quando os olhares se encontram, quando os lábios se tocam e quando percebem que os dois corações socam o peito na mesma batida. Então eles deram as mãos, fecharam os olhos, contaram até três e pularam juntos.
Eles que não esperavam por isso tão cedo, concordaram que as diferenças são gritantes, que tudo pode dar errado, e que pode machucar. Mas apesar de todos estes poréns, eles apostaram no final feliz. Eles escolheram se apertar num colchão pequeno e sentiram aquela sensação do desconforto mais confortável do mundo. E por mais que o braço durma, nenhum se atreve a sair dali.
Que não se atrevam, que não saiam. Que continuem juntos descobrindo um mundo novo a cada sorriso, a cada beijo, a cada toque. Que aproveitem o calor, sofram com a distância, vibrem com a presença e que se amem, porque um amor sem razão como este, um amor que chega como uma tempestade e transforma tudo ao seu redor, não acontece com frequência.
Deixem molhar. Deixem amar.
sábado, 27 de julho de 2013
Desperte.
(dê play para melhor aproveitamento)
Até quando, menina? Até quando você vai acordar com essa cara deformada por decepções? Por que você faz isso? "Ela se entrega inteira, várias vezes e, mesmo assim, ainda aceita essas metades", disseram sobre você. Quando você vai parar de se contentar com as metades? Quando você vai acordar do sonho?
Depois de um tempo, se você não tiver controle sobre a fantasia, a fantasia toma o controle sobre você. E digo fantasia porque é tudo de faz de conta.. E a fantasia, para existir, precisa ser alimentada. Sua fantasia te sugou, menina, foi isso o que aconteceu.
Enquanto você ainda tinha luz, ainda acreditava, ainda sorria, ainda tinha algo a oferecer, a fantasia te manteve. Levaram tudo, menina. Te sugaram inteira, não sobrou nada. O que você vai fazer agora? Você não é mais bem vinda, sua própria fantasia vai te expulsar, se sua imaginação acabar.
Alguns deles querem te usar, alguns deles querem ser usados por você. E então, qual vai ser? Continuar sofrendo ou fazer sofrer?
Mas lembre-se, menina, sempre tem a opção de acordar para a realidade. Todo mundo está buscando por algo. O que você busca? Sempre tem a opção de crescer. Quem sabe não está na hora de se tornar mulher.
Menina, enxugue suas lágrimas. Se sua fantasia te sugou, construa uma outra de você. Uma melhor, uma maior. Uma auto suficiente. E pára, menina! Pára de se lamentar por pessoas que nunca foram reais.
Deixe ir, deixe esfarelar, deixa o vento levar tudo isso que virou fumaça, pois nunca foi palpável, nunca foi feito para ser para sempre. Saia você, antes de te pedirem pra sair. A fantasia é sua, tome o controle de volta.
Floresça mulher, menina.
Desperte.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Era uma vez.
(dê play para melhor aproveitamento)
Logo ela que sempre se sentiu injustiçada, por seus contos de fada nunca acabarem com um "felizes para sempre". Logo ela que chorava tanto pelas maldades das bruxas, das feras, dos vilões. Ela que se escondeu tão fundo, tão dentro da sua própria história, que não notou estar sendo a vilã da história de outra pessoa.
Ela sempre foi tão acostumada a ser vítima, a ser princesa, a ser do bem... Ela que tinha tanta certeza de ser o cisne branco, se espantou ao se olhar no espelho e refletir o cisne negro.
É sempre um choque quando a realidade vem à tona e descobrimos que as coisas mudaram, que as coisas mudam e continuam mudando. E ela descobriu do pior jeito, que por ter tido seu coração ferido tantas vezes, entrou numa espécie de 'piloto automático' e saiu por aí partindo corações, sem consciência de que era uma vingança sem propósito.
Agora é hora de colher os frutos, princesa. É hora de recolher os pedaços, os cacos, de tudo o que você destruiu, enquanto estava anestesiada. Agora você precisa limpar esta bagunça que conseguiu fazer sozinha, graças ao seu orgulho ferido.
Você chegou ao clímax. É quando você luta com o seu maior inimigo: você mesma. Concentre-se em seu amor pela vida, pelas pessoas. Esqueça as mágoas, o rancor. Deixe ir o que te traz pra baixo. Solte as cargas emocionais. Peça perdão. Perdoe. Mude. Sorria. Abrace. Chore. Cante. Brilhe. Esteja leve. E agora, flutue. Seja livre. Vire a página. Essa história terminou. Comece outra.
Era uma vez, uma página em branco, cheia de possibilidades.
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Sobre o dia dos namorados
Há quem diga
que é só um feriado comercial, há quem diga que é dia do amor... e também há
quem diga que a noite é dos solteiros. Ok, talvez seja tudo isso. Mas pra mim,
hoje é dia do amor correspondido. Hoje é dia do companheirismo, do perdão, da
paciência, do cuidado. Pra quem namora, é todos os dias. Mas nada como um dia
marcado no calendário para reafirmar todas as promessas e sentimentos mútuos.
Para quem não namora, costuma ser tortura.
Eu não
namoro. Mas já vivi essa experiência. Essa delícia de amar livremente e se
sentir amado de volta. Não experimentei nada, repito, NADA, nenhum doce,
nenhuma viagem, nenhum filme, nada... que se comparasse com a delícia de um
amor correspondido.
Se você não
namora, tire a mágoa do coração e fique feliz pelo mel que escorre do seu feed
no facebook, porque significa que ainda há esperança. Apesar de vivermos numa
sociedade individualista, ainda tem gente lá fora que acredita no amor, no
relacionamento, no compromisso. E para aqueles que namoram, um feliz dia dos
namorados! Abracem, apertem, respirem e bebam de todo esse amor. A noite pode
ser dos solteiros farrearem, mas é de vocês, para se amarem.
E, pra finalizar, um vídeo para inspirá-los:
quarta-feira, 1 de maio de 2013
Trata de ser feliz
(Dê play para melhor aproveitamento)
Como o mundo está em constante mudança e movimento, com
certeza alguma hora aquela saudade que ela sentia se transformaria. Toda aquela
dor, todo aquele amor, toda aquela vontade de estar perto não seriam mais os
mesmos sentimentos.
Enquanto ele se preocupou em partir novos corações e manter
o seu vazio, ela se preocupou em se preencher de amor por coisas e pessoas a
quem lhe oferecesse amor em troca. E preencheu-se.
Enquanto ele se preocupou em machucá-la com todas as
palavras e todas as atitudes possíveis, ela se preocupou em reerguer-se e
manter-se fora do alcance dessas armas que ele usou de maneira tão baixa e
covarde. E reergueu-se.
Enquanto ele se preocupou em usar uma máscara e uma
armadura, para fingir que não sentia mais nada, que não se importava, que não
pensava e que não a amava, ela se preocupou em deixar transparecer todo o
afeto, o quanto tudo o que vinha dele lhe era importante, toda a saudade, e
tudo o que fosse de bom, para que seus sentimentos fossem livres para vir e
partir. E eles partiram.
Enquanto ele se preocupou em guardar mágoas, rancor e
concentrar-se em martelar os defeitos e falhas que ela cometeu para não
perdoá-la, ela se preocupou em concentrar-se em tudo de bom que ele lhe trouxe
e perdoá-lo por cada vez que ele a tenha ferido injustamente. Assim, não
sobraria nada dele. As coisas boas anulariam as ruins, as ruins anulariam as
boas e, no fim, não restaria nada. E não restou.
Enquanto ele se preocupou em dividir e projetar o que sentia
por ela, em outras pessoas, ela se preocupou em resguardar-se e assumir que
levaria um tempo para superar, mas que quando superasse, seria por completo. E
ela superou.
Mas quando a armadura pesar, seu coração
esquentar e sua consciência gritar, talvez ele se preocupe em recuperar tudo o
que perdeu. Talvez reconheça que todo esse tempo ela só quis seu bem enquanto
ele a afastava. Talvez ele se preocupe em pedir perdão. Mas, talvez, ela não
queira mais passar por isso. Talvez ela tenha descoberto que existem pessoas lá
fora que levariam um tiro, antes de machucá-la. Talvez esteja cansada de
despedidas. Talvez tenha acreditado nele, quando disse não queria nada que
viesse dela. Talvez ela tenha escutado seu conselho e, finalmente, seguido em
frente. E enquanto ele estiver preocupado em tentar reverter tudo isso, ela
estará ocupada sendo feliz.
domingo, 14 de abril de 2013
Consequências
Há quase um ano atrás, criei este blog, num momento de
crise, para poder desabafar sentimentos, pensamentos, opiniões, contar
histórias sobre meus dias felizes e os tristes também. Para dar conselhos a mim
mesma, pra tentar fazer arte com tudo isso que guardo dentro de mim.
Hoje parei para ler os textos que aqui foram escritos, parei
pra ler os clichês que sempre fazem muito sentido... Aqueles, tipo “um dia você
aprende”, “quando me amei de verdade”, etc. E fiquei pensando quantas coisas eu
já aprendi comigo mesma, quantas vezes eu já li e escrevi sobre dores, saudade,
liberdade, medos, e AMOR. Amores não correspondidos, amores enfraquecidos,
amores de outras vidas, amores de uma noite. E como ainda assim, apesar de ter
colocado tudo pra fora, apesar dos meus conselhos serem perfeitos pras minhas
situações, eu não consigo segui-los. Ainda assim, ainda hoje, eu choro na
noite, sem salto e borro minha maquiagem, como descrevi no texto “Traste e contraste”. Apesar de saber que tudo passa, tudo enfraquece, como dito no “Uma outra verdade sobre o amor”, eu me deixo abalar e deixo passar momentos e
pessoas incríveis, por me prender ao passado. Apesar da minha vontade, o tal
dia que falei no “Um dia”, nunca chega.
Mesmo com tudo o que já passei, mesmo provando pra mim mesma
que um dia tudo melhora, ainda não consigo passar despercebida pelas lembranças
que me cercam. Eu não consigo ouvir a nossa música na balada sem meu coração
apertar. Eu não consigo vê-lo com outra sem ter vontade de chorar. Eu não
consigo aceitar um abraço de um braço só. Eu não sei suportar um oi de longe.
Eu não sei. Fracassei nessas tarefas. Mas, em compensação, fui bem sucedida em
outras. Eu já consigo vê-lo e me manter no eixo, eu já consigo ficar com outras
pessoas no mesmo ambiente que ele está, eu consigo me contentar com a presença
dos meus amigos, eu sei me divertir mesmo que ele esteja me olhando feio. E aí
percebi que vai ser sempre assim. Que existe um ciclo: Se apaixonar, ser feliz,
curtir, se entregar, sofrer, ter saudade, doer, sofrer, superar, lembrar,
sofrer... Até você encontrar outra pessoa pra começar um novo ciclo. E isso vai
se repetir pra sempre, até surgir alguém que se entregue como você se entregou
e que não vá embora. Que você não tenha que sofrer a dor de uma despedida, de
uma saudade, de uma frustração.
Mesmo esse ciclo sendo cansativo, dolorido, ele é o que te
faz crescer, te faz ser forte, te faz aprender o que pode e o que não pode.
Porque todas as vezes que me entreguei a alguém, eu permiti que essa pessoa
entrasse de verdade na minha vida. Eu permiti que ele me ensinasse coisas
novas, eu aprendi a ter outros gostos, comecei a gostar de outras músicas,
outras paisagens, e o que foi nosso, as coisas boas, serão sempre nossas. E SÓ
nossas. Por mais que outra pessoa faça a mesma piada, ou goste do mesmo tipo de
carro. Todas essas pessoas que puderam entrar na minha vida e partiram depois,
deixaram heranças valiosíssimas que guardarei pra sempre com todo o amor e
carinho que possa existir dentro de mim. E espero que tenham levado algo de mim
com elas também.
Eu sou assim. Muito amor. Escolha minha e vou vivendo com as
consequências. Tenho dias bons, dias MUITO bons, assim como dias ruins e dias
MUITO ruins. Nunca ouvi falar de alguém que tenha morrido por amor. Mas viver
por isso, me parece um jeito bem digno de se levar a vida. E continuarei assim,
com vários ciclos, vários altos e baixos, porque acima de tudo eu não serei
jamais desacreditada. Eu sei que um dia a hora certa chega, a pessoa certa
chega. Enquanto isso, estarei treinando pra errar cada vez menos, para ser cada
vez maior, melhor e mais forte.
Pedro Quintella, uma vez disse: “’Deixar ir’, não significa
desistir, mas sim aceitar que há coisas que não podem ser”. Então vá, pois por
mais que me doa ainda, um dia vai passar e eu precisarei de espaço para coisas
que PODEM ser.
terça-feira, 2 de abril de 2013
Um dia
Um dia eu vou acordar e você não será mais a primeira coisa em minha cabeça.
Um dia eu vou conseguir me olhar no espelho sem enxergar o seu reflexo ao meu lado.
Um dia eu vou passear pela cidade sem lembrar dos lugares que fomos juntos.
Um dia vou comer minha porcaria preferida sem desejar que você estivesse junto.
Um dia vou ouvir a piada mais engraçada do mundo sem ter vontade de te contar.
Um dia vou ligar meu celular sem esperar por uma ligação sua.
Um dia vou sair da minha casa sem ter ensaiado um discurso, caso eu te encontrasse.
Um dia vou ver uma foto sua, por um acaso, e meu coração não vai parar... ou disparar.
Um dia vou conhecer um cara legal que tenha o seu nome, ou seu signo, ou use o mesmo perfume e não vou associa-lo a você.
Um dia vou ouvir algo que você já me contou, mas não vou lembrar que foi você quem me contou.
Um dia vou sair linda de casa sem desejar que você me visse e me elogiasse.
Um dia vou sentir uma dor no coração, mas não lembrarei mais que a dor foi causada por você.
Um dia, se eu me sentir vazia e incompleta, você não será mais a pessoa que eu desejaria que estivesse ao meu lado pra me preencher.
Um dia vou encontrar suas cartas guardadas numa caixa em meu armário e aquelas palavras não farão mais sentido algum.
Um dia vou esquecer os motivos de ter chorado por você... E os motivos de ter sorrido também.
Um dia sua imagem não será nítida na minha mente ou você em meu coração.
Um dia eu vou te encontrar na rua e não vou tropeçar de nervoso.
Um dia você vai me ligar e minha voz não vai tremer.
Um dia vão me perguntar o que aconteceu e eu não vou mais saber responder.
Um dia vou voltar pra casa tão cansada e ocupada com minhas alegrias que não vou querer saber como foi o seu dia.
Um dia eu vou encostar a cabeça no travesseiro e você não será mais a última coisa que penso antes de ir dormir.
Eu decidi que esse dia vai ser hoje. Que vai ser amanhã. Depois de amanhã e todos os dias daqui pra frente e para o resto da minha vida.
Mas, um dia, eu espero que você se arrependa de ter me pedido para jogar fora todo esse amor que eu poderia ter preservado e cultivado por todos esses dias. Não hoje. Um dia.
sábado, 16 de março de 2013
Sentir e deixar partir.
C: Você ainda me ama?
A: A resposta vai afetar sua vida de algum jeito?
C: Não, só estou curioso.
A: Então espero que a incerteza e a dúvida afetem.
A: A resposta vai afetar sua vida de algum jeito?
C: Não, só estou curioso.
A: Então espero que a incerteza e a dúvida afetem.
sábado, 2 de março de 2013
Ainda não inventaram outro nome pra saudade
(dê play para melhor aproveitamento)
Aqueles dias que parece que você não vai conseguir cumprir
sua promessa de distância. Que parece que seu coração vai explodir seu corpo de
tanta saudade. Que você tem que se trancar dentro do seu quarto sem telefone
para não ligar e pedir, por favor, para não te deixarem sair sozinha de casa,
caso contrário, você dá um jeito de chegar até a casa dele, por mais longe que
seja.
Ela acordou se sentindo assim hoje, incompleta. Não importa
quantos passeios divertidos ela tenha para fazer com seus amigos, quantas
risadas eles darão juntos, quantas horas ela conseguirá se manter distraída,
porque ela sabe que a noite vai voltar pra casa sozinha, deitar sozinha, sem
nenhuma mensagem de boa noite, sem nenhuma ligação perdida, sem ninguém pra
dizer o quanto o seu sorriso ilumina o mundo.
Ao que ficou. Ela então se agarra todos os dias ao que
ficou. Fotos, cartas, mensagens guardadas, lembranças de dias incríveis,
lembranças do toque, do cheiro, do calor, do que sobrou do seu amor.
Ela vai pro mundo, ela vive sua vida, se entope de lugares e
pessoas e, ainda assim, se sente sozinha. Como se todos tivessem perdido o
encanto, como se nenhum lugar fosse confortável, nenhuma conversa fosse
interessante. “Por que?” – se pergunta. Porque, minha linda, nenhum desses lugares é o abraço dele e ele não é nenhuma dessas pessoas.
Dia após dia ela luta contra seus sentimentos e suas
vontades. Dia após dia ela esconde suas lágrimas com largos sorrisos. Dia após
dia ela esgota suas forças se privando de ser aquilo que é: Entrega. Amor.
Verdade. Saudade.
Um coração que já foi completo, já foi inteiro, está mais uma vez em pedaços. Um coração que dói, que sofre e chora em silêncio, se sacrificando para não sufocar o coração dele. Então ela descobriu mais uma verdade sobre o amor: quando se ama, seu coração não se importa de doer, se for pra fazer o outro coração sorrir e ficar em paz.
"Fique em paz, meu amor e volte quando der. E se não der, não volte, mas deixe-me saber se você está feliz. Eu te amo." - escreveu numa carta que não foi feita para ser entregue. E ao dobrar o papel e guardar a carta, foi vestir suas roupas e se preparar para mais um dia de luta, de sorrisos, lugares cheios e falso bem estar.
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Noite Passada
"Só existe a alegria e vontade de ser o melhor entre os melhores para que outro possa morrer de orgulho, para que o outro deseje entrar dentro de você apenas para ficar o mais perto possível, ouvir seu respirar e sentir o cheiro que tem em cima da sua boca.” – Disse alguém sobre o amor que ela tinha dentro de si, mas que nunca teve com quem compartilhar, com quem viver, a quem amar.
Hoje ela acordou, se olhou no espelho e sorriu. Nunca esteve tão bonita, com o olhar tão alegre, com o sorriso tão fácil. Foi lembrando da noite anterior ao longo do dia e a cada lembrança era um sorriso para o nada e um espasmo de alegria.
Noite passada ela esqueceu as dores do mundo, o passado dilacerante, as culpas e os culpados. Ela se entregou a algo novo. Ela viveu uma verdade, uma certeza. Noite passada foi olho no olho, boca na boca, mão na mão, e dois corações batendo um pelo outro.
Noite passada ela se sentiu segura. Ela estava envolvida por algo além do seu conhecimento. A intimidade parecia de anos, o carinho foi sentido de dentro pra fora, seu coração mal podia se conter. A felicidade a invadiu e transbordou como uma explosão de coisas boas. Bons sentimentos, bons pensamentos, boas intenções.
Noite passada ela experimentou a sensação de um amor correspondido. Ela foi contra as leis da física e provou que dois corpos podem sim ocupar o mesmo lugar no espaço. E foi contra a lei dos descrentes e provou que o amor ainda é possível.
Hoje ela acordou, se olhou no espelho e sorriu. Mal pode esperar para a noite seguinte e se entregar todos os dias ao mais sincero e puro amor que já sentiu por alguém. Hoje ela compartilha seu amor e ama livremente. Sem medo, sem remorso, sem dor. Só amor.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Fim de jogo
Era sempre esse jogo. Essa disputa de egos, de orgulho. Competição acirrada e cansativa. Diariamente assombrados pelos seus reflexos covardes no espelho, Ela sempre buscando ser a mais bonita, a mais inteligente, interessante. Ele, o mais charmoso, com os melhores amigos e as piadas mais engraçadas.
Eles demoravam para dar o beijo de "oi", sempre que se viam. E por quê? Porque eram as regras. Quem cedesse primeiro, quem mostrasse alguma fraqueza, algum afeto, algum sinal de carinho, perderia.
Os dois se amavam. Se amavam muito. Mas dois corações partidos não se completam. Eles se subtraem. E se subtraíram todos os dias e todas as noites que pensaram em ligar, em dizer o que sentiam e não fizeram.
Após meses de cutucadas recíprocas nos corações feridos, Ele cedeu. Ele se declarou, demonstrou amor, declarou afeto, provou vontade e se entregou. E Ela? Com anos acumulados de péssimas experiências, de mágoas e uma carga emocional tão pesada, que mal podia suportar, deixou que o amor escorresse pelos seus dedos. Ela negou, Ela o deixou, Ela sumiu e Ela se arrependeu.
Ela até tentou voltar, mas o coração dele já havia se fechado novamente. Ele estava disposto apenas a lutar novos rounds de subtrações. "Eu realmente estraguei tudo dessa vez, não estraguei?" - pensou consigo mesma. E mais um amor perdeu para o orgulho. Mais um amor virou medo. Mais um amor acabou antes de ter chance de nascer. O jogo acabou e nenhum saiu vitorioso.
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