segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

21 anos de puro amor

"Quando se acabou com tudo, espada e escudo, forma e conteúdo...Já então agora dá, para dar amor! Amor dará e receberá do ar, pulmão; da lágrima, sal.
Amor dará e receberá da luz, visão do tempo espiral."

Hoje é dia de abrir a caixa de pandora e fazer aquela limpeza do que fica e do que não fica. De ver quem veio, quem ficou, quem foi embora, e quem ainda está na fila para entrar.
Para a maioria das pessoas, o ciclo do ano se encerra no dia 31/dez. Para mim, encerra quando completo mais um ano de vida. Hoje.
Recebendo os meus parabéns, parei para pensar no quanto esse ano fugiu dos meus planos. O quanto meus sonhos não se realizaram. Percebi que quanto mais velhos ficamos, menos amigos nós temos e justo quando mais precisamos.
Este ano foi basicamente um ano de despedidas. Tive que aprender a me virar sozinha como der e sou muito grata, hoje, pelo tanto que aprendi comigo mesma, pelo crescimento e evolução em nível hard.
Foi um ano cheio de dores, mágoas, lágrimas e corações partidos. E saio dele sorrindo, leve e satisfeita. Lágrimas, só se forem de gratidão e alegria. Tudo isso, porque aprendi que não tem como encher um copo que já está cheio. Então eu me permiti me esvaziar e aprendi com as lições e as tarefas que o Universo me impôs. E, apesar de todo o sofrimento, as despedidas, as dores, eu pude começar a perceber quem realmente merece todo esse amor que eu escolhi compartilhar. Tiveram vários "olás", vários abraços de doer as costas, beijos de tirar o fôlego, amor de transcender do corpo, arrepios de emoção e gargalhadas de doer a barriga. E estou, aliás, SOU totalmente apaixonada por todos esses ótimos momentos que vivi com pessoas incríveis que compartilharam alegrias infinitas comigo neste ano.
Os sonhos e planos que fiz há um ano atrás não se realizaram, mas foi porque eu mudei. Foi um ano de transformação... Cada vez mais perto de me tornar uma borboleta. Os sonhos são outros, os desejos são outros e, neste ano, neste 2012 além de ter sobrevivido ao "fim do mundo" vivi momentos de aplaudir em pé que eu jamais seria capaz de imaginar...ou sonhar.
Não gosto de fazer promessas, pois não sei se conseguirei cumpri-las. Mas para o ano que vem, espero que eu possa saber medir melhor as doses de amor que eu distribuo e deixar ir quem não estiver pronto para recebê-lo, mas sem mágoas. Que eu possa ser mais justa com os outros e comigo mesma. Ter ao meu lado, quem quer me ter ao lado. Fazer parte da vida de quem quiser ser parte da minha, pois aprendi que nem todos serão para a vida toda. Alguns estão só para contar uma história, acrescentar um capítulo, seja ele bom, ou ruim. E colocar em prática a lição mais preciosa que aprendi: "o segredo é ser e deixar ser, viver e deixar viver, sentir e deixar partir." Quando consigo viver esse aprendizado, eu atinjo a felicidade plena. E é isso que tenho buscado, felicidade, já que de amor eu já nasci transbordando.
Parabéns para mim que sobrevivi a mim mesma estes 21 anos e ainda sou capaz de me perdoar, me permitir e me amar. E agora leve e de copo vazio, que venham mais 21!


Mas claro que não posso me dar todos os créditos por essa evolução. Aqui estão algumas coisinhas que fui guardando de lembrança ao longo do ano. Não chega nem perto de tudo o que eu vivi, de todos os lugares que fui, todas as pessoas que eu conheci e fizeram parte do meu ano, e acrescentaram em algo. Mas o que eu queria mesmo dizer é obrigada. Obrigada a vocês que fizeram a diferença e contribuíram pro meu crescimento de alguma forma, que me aguentaram nas loucuras, que secaram minhas lágrimas, que compartilharam alegrias, beijos, momentos, festas, risadas, conselhos, histórias. Vocês estão guardados num lugar muito especial no meu coração. E, apesar de todos os pesares, eu sempre pensarei em todos com o maior carinho e amor do mundo. Feliz Natal, seus lindos!


sábado, 1 de dezembro de 2012

Fim de sessão




Ela morreu por dentro. Ela desistiu. Ela entregou os pontos. Por quê? Porque ela dedicou sua vida ao amor, amou todos os dias, todas as noites, se entregou, sofreu, tentou, pediu, provou. E como o mundo lhe retribuiu? Com foda-se. Com pouca confiança. Com falta de amor.

Mas a verdade, o que irrita, o que magoa, é que amor não falta. Amor tem de sobra. O que falta é coragem, é liberdade, é entrega. Tudo aquilo que ela É, falta no mundo. Tudo aquilo que ela acredita, sumiu do mapa. Tudo aquilo pelo que ela preza, luta, reza e sonha, está longe de ser alcançado porque o mundo está doente.

O brilho nos olhos apagou, as borboletas vivem apenas um dia, o encaixe não existe mais, pois a forma mudou e a vontade descompromissada de ficar perto, essa, foi pura ilusão.
Ela tentou. Ela fez por onde. Ela não se culpa. Ela só se cansou. Ela não se permite mais sofrer. Ela não merece esse pouco. Ela merece mais, merece tudo, merece poder amar livremente. E se não existe esse tal amor, então aqui ela se despede. Se não existe essa tal liberdade, aqui ela desiste. Aqui ela se desculpa. Ela tentou, mas o mundo venceu. E, por dentro, ela morreu.

O que ela ganhou? Uma máscara. E é uma máscara que usará daqui para frente. Para se proteger, para não mais sofrer, para se privar, para amar a si própria, e não ser mais capaz de amar o mundo, pois o mundo não foi capaz de amá-la de volta. E não foi por falta de amor, foi por falta de coragem.