sábado, 1 de dezembro de 2012

Fim de sessão




Ela morreu por dentro. Ela desistiu. Ela entregou os pontos. Por quê? Porque ela dedicou sua vida ao amor, amou todos os dias, todas as noites, se entregou, sofreu, tentou, pediu, provou. E como o mundo lhe retribuiu? Com foda-se. Com pouca confiança. Com falta de amor.

Mas a verdade, o que irrita, o que magoa, é que amor não falta. Amor tem de sobra. O que falta é coragem, é liberdade, é entrega. Tudo aquilo que ela É, falta no mundo. Tudo aquilo que ela acredita, sumiu do mapa. Tudo aquilo pelo que ela preza, luta, reza e sonha, está longe de ser alcançado porque o mundo está doente.

O brilho nos olhos apagou, as borboletas vivem apenas um dia, o encaixe não existe mais, pois a forma mudou e a vontade descompromissada de ficar perto, essa, foi pura ilusão.
Ela tentou. Ela fez por onde. Ela não se culpa. Ela só se cansou. Ela não se permite mais sofrer. Ela não merece esse pouco. Ela merece mais, merece tudo, merece poder amar livremente. E se não existe esse tal amor, então aqui ela se despede. Se não existe essa tal liberdade, aqui ela desiste. Aqui ela se desculpa. Ela tentou, mas o mundo venceu. E, por dentro, ela morreu.

O que ela ganhou? Uma máscara. E é uma máscara que usará daqui para frente. Para se proteger, para não mais sofrer, para se privar, para amar a si própria, e não ser mais capaz de amar o mundo, pois o mundo não foi capaz de amá-la de volta. E não foi por falta de amor, foi por falta de coragem.

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