Ela morreu por dentro. Ela desistiu. Ela entregou os pontos.
Por quê? Porque ela dedicou sua vida ao amor, amou todos os dias, todas as
noites, se entregou, sofreu, tentou, pediu, provou. E como o mundo lhe
retribuiu? Com foda-se. Com pouca confiança. Com falta de
amor.
Mas a verdade, o que irrita, o que magoa, é que amor não
falta. Amor tem de sobra. O que falta é coragem, é liberdade, é entrega. Tudo
aquilo que ela É, falta no mundo. Tudo aquilo que ela acredita, sumiu do mapa.
Tudo aquilo pelo que ela preza, luta, reza e sonha, está longe de ser alcançado
porque o mundo está doente.
O brilho nos olhos apagou, as borboletas vivem apenas um
dia, o encaixe não existe mais, pois a forma mudou e a vontade descompromissada
de ficar perto, essa, foi pura ilusão.
Ela tentou. Ela fez por onde. Ela não se culpa. Ela só se
cansou. Ela não se permite mais sofrer. Ela não merece esse pouco. Ela merece
mais, merece tudo, merece poder amar livremente. E se não existe esse tal amor,
então aqui ela se despede. Se não existe essa tal liberdade, aqui ela desiste.
Aqui ela se desculpa. Ela tentou, mas o mundo venceu. E, por dentro, ela morreu.
O que ela ganhou? Uma máscara. E é uma máscara que usará
daqui para frente. Para se proteger, para não mais sofrer, para se privar, para
amar a si própria, e não ser mais capaz de amar o mundo, pois o mundo não foi
capaz de amá-la de volta. E não foi por falta de amor, foi por falta de coragem.

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