terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Noite Passada




"Só existe a alegria e vontade de ser o melhor entre os melhores para que outro possa morrer de orgulho, para que o outro deseje entrar dentro de você apenas para ficar o mais perto possível, ouvir seu respirar e sentir o cheiro que tem em cima da sua boca.” – Disse alguém sobre o amor que ela tinha dentro de si, mas que nunca teve com quem compartilhar, com quem viver, a quem amar.

Hoje ela acordou, se olhou no espelho e sorriu. Nunca esteve tão bonita, com o olhar tão alegre, com o sorriso tão fácil. Foi lembrando da noite anterior ao longo do dia e a cada lembrança era um sorriso para o nada e um espasmo de alegria.

Noite passada ela esqueceu as dores do mundo, o passado dilacerante, as culpas e os culpados. Ela se entregou a algo novo. Ela viveu uma verdade, uma certeza. Noite passada foi olho no olho, boca na boca, mão na mão, e dois corações batendo um pelo outro.

Noite passada ela se sentiu segura. Ela estava envolvida por algo além do seu conhecimento. A intimidade parecia de anos, o carinho foi sentido de dentro pra fora, seu coração mal podia se conter. A felicidade a invadiu e transbordou como uma explosão de coisas boas. Bons sentimentos, bons pensamentos, boas intenções.

Noite passada ela experimentou a sensação de um amor correspondido. Ela foi contra as leis da física e provou que dois corpos podem sim ocupar o mesmo lugar no espaço. E foi contra a lei dos descrentes e provou que o amor ainda é possível.

Hoje ela acordou, se olhou no espelho e sorriu. Mal pode esperar para a noite seguinte e se entregar todos os dias ao mais sincero e puro amor que já sentiu por alguém. Hoje ela compartilha seu amor e ama livremente. Sem medo, sem remorso, sem dor. Só amor.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Fim de jogo


(sugiro que dê play antes de começar a ler.)



Era sempre esse jogo. Essa disputa de egos, de orgulho. Competição acirrada e cansativa. Diariamente assombrados pelos seus reflexos covardes no espelho, Ela sempre buscando ser a mais bonita, a mais inteligente, interessante. Ele, o mais charmoso, com os melhores amigos e as piadas mais engraçadas.

Eles demoravam para dar o beijo de "oi", sempre que se viam. E por quê? Porque eram as regras. Quem cedesse primeiro, quem mostrasse alguma fraqueza, algum afeto, algum sinal de carinho, perderia.

Os dois se amavam. Se amavam muito. Mas dois corações partidos não se completam. Eles se subtraem. E se subtraíram todos os dias e todas as noites que pensaram em ligar, em dizer o que sentiam e não fizeram.

Após meses de cutucadas recíprocas nos corações feridos, Ele cedeu. Ele se declarou, demonstrou amor, declarou afeto, provou vontade e se entregou. E Ela? Com anos acumulados de péssimas experiências, de mágoas e uma carga emocional tão pesada, que mal podia suportar, deixou que o amor escorresse pelos seus dedos. Ela negou, Ela o deixou, Ela sumiu e Ela se arrependeu.

Ela até tentou voltar, mas o coração dele já havia se fechado novamente. Ele estava disposto apenas a lutar novos rounds de subtrações. "Eu realmente estraguei tudo dessa vez, não estraguei?" - pensou consigo mesma. E mais um amor perdeu para o orgulho. Mais um amor virou medo. Mais um amor acabou antes de ter chance de nascer. O jogo acabou e nenhum saiu vitorioso.