terça-feira, 22 de maio de 2012

O Fantasma





Ela nunca estava só.
Ela se comportava bem, se vestia bem e falava bem. Mas a imagem que se escondia no fundo de seus olhos era outra. Outra postura, outra época.
Aonde quer que ela fosse, essa carga a acompanhava. Um incômodo, uma vergonha, uma culpa, um peso, que a todo custo ela tentava se livrar, mas apesar de todo o tempo que passou, ela não conseguia.
As pessoas ao seu redor esperavam ansiosamente por um tropeço que a colocasse no chão, novamente. Que revelasse a face do fantasma que escondia por trás do bom comportamento.
Quem suportaria viver assim? Com uma legião torcendo pelo seu fracasso, pela sua queda, pelo seu vexame?
As correntes que a prendiam a esse fantasma do passado eram muito fortes e se soltar parecia impossível. Para acabar com ele, ela sabia o que teria que fazer.
Um pulo, a última sensação de liberdade, um impacto decisivo.
Dois fantasmas.

Pulo suave? Suave coisa nenhuma!

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Traste e Contraste


(Dê play para melhor aproveitamento)


Impecável. Cabelos limpos e bem escovados. Perfume suavemente doce. Roupa que valoriza todas suas qualidades e disfarça as imperfeições. Maquiagem que esconde o cansaço. Salto alto que dá a falsa sensação de superioridade. Sorriso que esconde sua tristeza. Impecável.

Ela observa e é observada, de longe. Saudade. Segredo. Proibido.

O copo em sua mão e o álcool em seu sangue lhe dão a segurança que ela precisa para se manter firme e se mostrar despreocupada. Mas cada olhar que se encontra com o desejado, é um gole a mais e um sorriso a menos.

As pessoas que lotam o lugar são apenas espectros. Não existe outro motivo, se não ele, para ela estar ali, para mentir para si mesma.

A música alta e a luz baixa lhe dão a sensação de descontrole. De desespero. Ela não enxerga bem, não ouve nada, mas sente tudo.

Então a noite acaba e a luz do dia revela as verdades: caos. Cabelos bagunçados. Cheiro tóxico de suor e cigarro. Roupa suja e meia calça rasgada. Maquiagem borrada por lágrimas até o queixo. Salto perdido atrás do bar. Olhar que expõe sua solidão. Caos.

Contraste suave? Suave coisa nenhuma!

terça-feira, 15 de maio de 2012

Saia da sua zona de conforto

A zona de conforto leva ao tédio e arriscar uma mudança leva à evolução.  

Quem aqui não chorou nos primeiros dia de escolinha, ficou descontente ao mudar de bairro, ou achou que fosse o fim do mundo terminar um relacionamento? Vocês sobreviveram? Eu também.

Leva-se um tempo até chegarmos na zona de conforto, mas quando chegamos lá, deveríamos descansar só um pouco. Não tem graça se acomodar, se conformar. Sempre há tanto mais pra conhecer, pra fazer, pra viver.

Eu já encarei com preconceito muitas mudanças, as quais fui forçada a fazer na minha vida, mas hoje, olhando para trás, eu vejo como todas elas foram fundamentais para que eu chegasse aonde eu estou. Se eu estou satisfeita? De jeito nenhum! Eu quero muito mais! Mas me orgulho de mim, até aqui.

Todas as vezes que me acomodei a alguma situação, eu acabei enjoando, ficando entediada, engordando, envelhecendo, perdendo tempo. Busque sempre algo novo, recomponha-se, renove-se, tente outra vez.

O mundo é tão enorme, há tantas pessoas, tantas oportunidades… De que vale estarmos aqui, se não arriscarmos mais? Se não nos forçarmos mais?
Se estiver triste porque mudou de cidade, de país, pense nas pessoas e lugares que você vai conhecer, nas oportunidades que irão surgir. Terminou um relacionamento? É sua chance de ficar com alguém que dê mais certo, que seja mais compatível. Perdeu alguém? Faça esse alguém ter orgulho de você, provando que você é forte e pode continuar sozinho.

Lembrem-se que há um equilíbrio vital a ser respeitado. Respeitem. E sigam sempre em frente.

"Se o chão se abrir e você sentir que já não tem mais forças, confie e acredite sempre um pouco mais. Se existe o caos e a dor, também existe a fé e a esperança em algo maior, algo melhor. Não é felicidade, amor, carinho… e sim, viver e aceitar que pra cada dia ou pensamento que ferir seu coração, vai existir a recompensa por tudo o que você passou. E pra cada sonho que perdeu, encontrará um novo sonho inteiro ao seu dispor!" - Uma vida sem saudade - Hateen  

Conforto suave? Suave coisa nenhuma!

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Permita-se


Primeiramente, eu gostaria de agradecer à Lara, pelo post anterior. Foi como uma escada rolante, num morro absurdamente íngreme!
Para quem não leu, eu aconselho a ler, ou a assistir ao vídeo que eu gravei, lendo e agradecendo:  http://www.youtube.com/watch?v=s0vdUd2ofjw
E gostaria também de agradecer ao carinho das pessoas que vieram falar comigo sobre o vídeo e sobre o blog… Amigos e pessoas que eu nem conhecia distribuíram um carinho gratuito que me fez muito bem e estou super feliz por saber de pessoas que me admiram! Obrigada!

Vamos lá…


Cansei de ouvir as pessoas dizerem "Mimi, 'te amo', não é 'bom dia'". Não, não é mesmo. Eu prefiro ouvir "eu te amo".

Quando foi que as pessoas ficaram medrosas? Quem foi que disse que é errado permitir-se?

Vocês já perceberam como as crianças são simples? Elas são sinceras em suas emoções. Crescer significa, por um acaso, sentir menos? E os animais? Já repararam como eles tem um amor incondicional?

É disso que eu to falando. Entrega. Liberdade de expressão. Verdade. Brilho nos olhos e borboletas no estômago.

A maioria das pessoas que eu conheço já sofreram por amor, seja por um amor não correspondido ou mesmo a perda de alguém querido, e isso as colocou na defensiva. Mas a verdade é que o amor também DOI. Tudo nessa vida tem dois lados. Tudo deve ter equilíbrio. E o amor não foge à essa regra. As dores do amor, são inversamente proporcionais aos benefícios que ele nos traz.

Ame. Liberte-se. Entregue-se. Dê uma chance àquele alguém. Dê uma chance a você.

Não pense em como irão reagir. Saiba de si, e tudo o que fizer, faça com verdade. Acredite em todas as suas ações. Se errar, erre de verdade, mas continue sorrindo. Sorria, e deixe o espelho te surpreender com um sorriso de volta. E, sem perceber, você vai conseguir enxergar mil pessoas que estiveram sorrindo para você todo esse tempo. E que o medo da solidão não o impeça de continuar sendo livre! Permita-se!


Permissão suave? Suave, coisa nenhuma!

terça-feira, 1 de maio de 2012

O tal trio delícias era na verdade uma dupla.

Eu queria muito poder falar de amizade, mas serei obrigada a falar de amor.

Este post é para você Marcela Teles. E eu realmente queria desejar a todas as pessoas que irão começar a ler que tenham a sorte de conhecer alguém como a Mimi nesta vida. Eu digo e repito o quanto sou privilegiada por viver coisas que vivo, ter o que tenho e conhecer as pessoas que eu conheço. Mas nesse caso, me sinto escolhida, selecionada por uma força maior e presenteada com essa amizade. Sou privilegiada de poder dedicar essas palavras á alguém - poucos tem essa oportunidade.

Ela brilha. Ela vibra, ela deixa o escuro claro e faz com que tudo, absolutamente tudo seja aceitável, seja coerente. Ela sorri e contamina, ela chora e desespera quem estiver ao redor. Não importa onde ela esteja, sempre alguém estará observando, abismado, chocado, apaixonado, encantado...

Eu poderia dedicar horas, dias, semanas ou até meses só para observá-la. Ela tem o olhar sincero, tem um sorriso tímido e as mãos mais fracas que eu já vi. A pele branca cheia de roxos e um coração macio cheio de feridas que cicatrizam aos poucos.

Já falamos de liberdade uma vez, mas não foi o bastante. Ela sim sabe o que é ser livre, ela sabe o que é ser uma intervenção no papel branco onde as pessoas se posicionam socialmente, ela oferece aquela segurança e sua auto-estima nunca ficará baixa perto dela: porque ela elogia o tempo todo, todo o tempo. Por quê? Porque se existe mesmo amor ela é a interprete, ela foi convidada para ser a protagonista, a coadjuvante e ela vai ajudar na limpeza. O espetáculo do amor não fica por temporada, ele é permanente, ela abre e fecha as cortinas quando quer.

Não existe verdade mais exposta do que aquela que transborda com as lágrimas, e de repente a boca dela se desfaz, ela mal consegue controlar os movimentos de seu rosto, e de repente tem rímel por todos os cantos. E a respiração dela é frágil, é quase inaudível, mas se você ficar em silêncio se torna desesperador. Onde está essa tal justiça? Ela se entrega inteira várias vezes e sempre aceita essas metades, esse um quarto, um quinto, um sexto... Eu acho pouco.

E aí que tudo se difere, desde que ela respirou para fora da barriga da mãe jovem e incrível que tem ela fez uma escolha prematura, arriscada, mas bonita, muito bonita. Escolheu o amor, escolheu o amor na hora da briga, escolheu o amor quando me deu meu primeiro tapa, escolheu o amor quando recebeu um tapa da vida, escolheu o amor quando teve que partir, escolheu o amor quando tirou as roupas, escolheu o amor todas as vezes que pintou seus olhos de preto e optou pela saia mais curta.

Ela é o amor, o amor que cuida, que ama, que brinca, que mal cabe dentro de si e por isso se joga, dança, corre, ri alto, grita e cai - ela CAI. Não cabe, alias mal cabe nesse mundo, mal cabe nessa vida, mal cabe nesse jogo que jogamos todos os dias.

As pessoas são assim, buscam companhia para sua solidão, passam o tempo todo tentando ser aplaudidos, mas só escutam esses aplausos quando olham para as imperfeições e se apaixonam, quando se deixam cuidar e quando param de competir. Ninguém precisa de fotos, de alianças, de casa para morar, de casamentos épicos. As pessoas que amam de verdade tem uma tatuagem permanente, tem uma pinta no meio do rosto, usam rosa e amarelo e ficam lindas! Quem precisa de atitudes que provam esse amor só querem subir nos palcos da Marcela... Todos sabem sobre um apaixonado, todos entendem suas opções, TODOS veem. Não existe amor duplo, não existe liberdade, não existe posse, não existe nada disso, só existe essa força que eles tem quando estão juntos, só existe alegria e vontade de ser o melhor entre os melhores para que outro possa morrer de orgulho, para que o outro deseje entrar dentro de você apenas para ficar o mais perto possível, ouvir seu respirar e sentir o cheiro que tem em cima da sua boca.

Ela não queria nada, não queria ninguém. Ela só precisa lembrar ao mundo que existem flores que aguardam ansiosamente para serem entregues, que existem chocolates que precisam ser divididos, que existe trident para todas as manhãs juntos. Ela só queria poder chorar enquanto ama, queria poder dançar para que o amor escorresse pela pontas dos dedos, ela não pediu nada demais. Ela pediu a verdade, um pouco de respeito e ganhou fãs desinteressantes, ganhou risadas que intimidavam suas lágrimas e ganhou consolo.

Mimizinha você é o amor, personificado, a própria, a única, você é o sol de todas as galáxias que chamamos de pessoas, você é o cisne branco e o cisne negro! Deixe que as lágrimas saiam, que circulem, que te banhem. Mas retorne das cinzas, não se perca, não se esqueça. Hoje eu agradeço pela sua existência, pelo tanto que me faz feliz, por fazer meu tédio virar uma super história, por entrar na minha vibe por mais vergonhosa que seja, por me aceitar e por se orgulhar de mim. Sinta isso que estou sentindo minha boneca, e saiba que todo o amor que ele não te der o resto do mundo irá te dar, só deixe o tempo trabalhar bem isso, deixe ele te preparar pra isso! E confia, senão nele, confia em mim - sobrevivemos a tantas coisas, essa poderá ser uma daquelas que iremos relembrar daqui há alguns anos.

Eu te mimi.