Ela nunca estava só.
Ela se comportava bem, se vestia bem e
falava bem. Mas a imagem que se escondia no fundo de seus olhos era outra.
Outra postura, outra época.
Aonde quer que ela fosse, essa carga a
acompanhava. Um incômodo, uma vergonha, uma culpa, um peso, que a todo custo
ela tentava se livrar, mas apesar de todo o tempo que passou, ela não
conseguia.
As pessoas ao seu redor esperavam
ansiosamente por um tropeço que a colocasse no chão, novamente. Que revelasse a
face do fantasma que escondia por trás do bom comportamento.
Quem suportaria viver assim? Com uma
legião torcendo pelo seu fracasso, pela sua queda, pelo seu vexame?
As correntes que a prendiam a esse
fantasma do passado eram muito fortes e se soltar parecia impossível. Para
acabar com ele, ela sabia o que teria que fazer.
Um pulo, a última sensação de liberdade,
um impacto decisivo.
Dois fantasmas.
Pulo suave? Suave coisa nenhuma!

eu!
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